segunda-feira, 29 de julho de 2013

O dia em que Pequeno foi abençoado.

Não desanime da leitura logo pelo título. Sim, vou falar mais uma vez sobre a visita do Papa, mas não quero predicar nada. Até porque seria hipócrita, já que ainda não tenho uma religião a qual seguir. Simpatizo com muitas crenças. Admiro quem finalmente tenha escolhido a sua e dedica tempo, energia e coração. Admiro de verdade! 

Sempre me refiro a "ainda não encontrei minha religião", porque penso que cedo ou tarde acabamos nos decidindo (ou aproximando) por alguma. Acredito que em algum momento passamos a entender melhor o sentido da vida ... e da morte ... e da vida eterna (para os que nela crêem) acreditando em algo maior, imenso, que dê sentido a tudo.

Fui batizada na igreja católica. Nela, também, recebi minha primeira eucaristia. Mas ficou por aí. Nunca fui crismada, nem casei pela igreja. Vivo, felizmente, em pecado com meu marido. E lembro que quando decidimos por batizar ao Pequeno, tive que me confessar com o pároco da cidade onde mora minha sogra e um dos assuntos desse momento ímpar foi o "não estar casada pela igreja".

Na época, ainda não falava quase nada de italiano (ainda morava na Espanha), o pároco não falava português, disse que entendia um pouco (quase nada) de espanhol. Então, foi quase em esperanto que me comuniquei com ele, fui sincera e disse que tudo o que predicava  um matrimônio católico existia em meu lar: amor, respeito, fidelidade ... aquela coisa de "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza", praticávamos constantemente.

Morei 3 anos em Roma e fui uma única vez em uma celebração no Vaticano: na beatificação do Papa João Paulo II. Não simpatizava com o Ratzinger, não o via como líder de nada. O olhar dele me dava medo. Talvez ele tenha dado "azar" que seu antecessor tenha sido uma pessoa tão carismática. E carisma é algo não muito fácil de se conseguir: ou se tem, ou não se tem. Isso vale até mesmo para um líder religioso.

Pois bem ... Ratzinger não aguentou o tranco e surgiu um argentino ... e  me pareceu, ao menos,  simpático. 

Como nossa vida é meio inconstante - hoje estamos aqui, amanhã sabe-se lá aonde - queremos aproveitar ao máximo todos os eventos que acontecem por aqui. Reveillón, carnaval, Copa das Confederações, manifestações, JMJ e tudo o que ainda está por vir. Tem muvuca no RJ? Lá pretendemos estar.



Fomos duas vezes a Copacabana durante a JMJ. A primeira na quinta-feira a noite (25/6). Por culpa da desorganização da prefeitura do RJ, tivemos que ir caminhando de casa até Copacabana. Não é nada de outro mundo, nós somos acostumados e gostamos de caminhar. E o clima era propício. Apesar do frio - sim, fez bastante frio no Rio - e da possibilidade de chuva, as ruas estavam repletas de peregrinos  de todas as idades. 



Conseguimos ver o papamóvel de pertinho - o levavam para o Forte de Copacabana.  O Papa chegaria em helicóptero e faria o desfile do Forte até o Leme com o papamóvel. Ao passar o papamóvel por nós,  somente com os batedores da polícia e o motorista, Pequeno ainda brincou:

- "Chi, esqueceram do Papa".



Apesar de chegarmos relativamente cedo, não conseguimos um "bom lugar" para ver o Papa de perto. Não sou muito chegada em aglomerações (e me meto nelas, vai entender ...), preferi ficar meio distante e me conformei com um degrauzinho de um canteiro.



Depois de um bom tempo de espera, finalmente, passou o Papa ... voando. Fiquei decepcionada! Tanto tempo de espera para 2 segundos. Pequeno largou mais uma das suas. Disse que o papamóvel teria que se chamar papafoguete, de tão rápido que passou.



Já no sábado a noite, decidimos participar da celebração de domingo: a missa final da JMJ. Tínhamos consciência da quantidade de pessoas (a previsão era de 3 milhões - previsão esta que, posteriormente, foi superada: passou dos 3 milhões e meio de pessoas), mas queríamos participar. Foi legal demais cruzar com pessoas de todos os cantos do mundo. Apesar da quantidade de gente, se sentia um clima de paz, alegria, respeito.

Assim que, domingo passava um pouco das 7hs quando saímos rumo a Copacabana. Conseguimos ir de metrô (super apertados, mas era apenas 1 estação, dava pra aguentar). Tivemos sorte de encontrar um lugar relativamente próximo ao local onde o Papa passaria novamente em desfile com o carro aberto - papamóvel. Havia a avenida, um cordão de isolamento, um grupo de pessoas, uma grade e nós. Ou seja, uma grade nos separava de um "local VIP".

Vendo que o marido estava louquinho de vontade de passar para o outro lado, o incentivei a passar.  "Pula a grade homem, pula a grade", foi mais ou menos o que disse. Assim foi: Pequeno e papai ficaram ainda mais próximos do Papa. Me resignei com o local onde estava, um degrauzinho legal que me deixava alguns centímetros acima das cabeças em frente. Apesar da insistência do marido, resolvi ficar por ali mesmo. "Daqui não saio, daqui ninguém me tira".



Alguns minutos depois, um rapaz que estava na 'primeira linha'  (logo após o cordão de isolamento), se ofereceu para pegar o Pequeno no colo. Bondoso ele, né?!

Tá bom, deixa eu quebrar um pouco do clima de bom samaritano do post ... Bondoso nada. Interesseiro! Todo mundo sabe que onde tem criança é muito mais fácil de chamar a atenção do Papa e muito mais provável que ele se detenha por alguns segundos. Pequeno, bem cara de pau, adorou a idéia de servir de cobaia  e ficou feliz da vida pendurado no pescoço do homem. De onde estava vi direitinho como os dois batiam altos papos.

As pessoas que estavam ali a volta começaram a chamar pelo nome do Pequeno. Ovacionando  até fizeram coro: "Nicola, Nicola, Nicola". Tiravam fotos ... e o Pequeno se "deixava querer". Até pose para as fotos o danado fez. E várias foram as pessoas que entregaram coisinhas a ele para que, logo, pudesse dar ao Papa: bilhetes, camisetas do Brasil, presentes, etc.



E aí veio o papamóvel, novamente voando. Passou tão rápido, mas tão rápido, que o Papa viu ao Pequeno somente quando já havia passado. Girou, fez um gesto e disse algo como "sinto muito", abençoou ao Pequeno, sorriu e abanou.



A celebração foi linda, a energia daqueles milhares de pessoas reunidas foi incrível. Assim como incríveis foram os momentos de silêncio e orações. Até participei do flash mob que fizeram para o Papa: dancei feliz da vida.

Pequeno fez amizade com uma moça que estava próximo a nós, já nas areias de Copacabana. Também caiu na simpatia de uma freira, que o deu um pingente de uma santinha (que ainda não descobri qual é). 



Na hora de ir embora, Pequeno foi até ela dizer obrigada. Conversaram um pouco e, pelo que entendi, ela disse que se chamava Irmã Teresa.

A experiência foi maravilhosa ... e o dia só não foi perfeito para o Pequeno porque tivemos que voltar pra casa a pé :)


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Esse é o link para ver o vídeo da passagem do Papa:

* Tem que clicar  aqui no link.
* Logo, procurar o vídeo  "The Pope at Rio - Mass  and Angelus  for the WYD"
* vai ser difícil encontrar ao Pequeno, mas ele aparece mais ou menos no minuto 7:57, logo que aparece um Ipad a direita do vídeo (sim, tinha que aparece um Ipad junto com ele ... hehehe). A cabeça do Pequeno aparece logo acima do Ipad. Alguns segundos depois, quando o Papa se gira, é quando o abençoa e abana para ele. Dá pra ver Pequeno dando "tchauzinho" para o Papa e, posteriormente, o povo repassando o Pequeno para o papai.

6 comentários:

  1. que final de semana maravilhoso, abençoado...

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  2. Posta o pingente que o Pequeno recebeu para descobrirmos qual é...

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    1. Amiga, estou tentando descobrir :) O pingentinho é tão pequenino que fica difícil identificar.
      Bjos!

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  3. fiquei emocionada e impressionada !!! tenho um pouco de medo de multidão !!! que seu pequeno seja sempre abençoado !!!!

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    1. Multidões tb me dão medo, Monique. Mas era uma experiência única. E o fato é que me impressionei com a calma, paz, tranquilidade, respeito, simpatia da multidão. Foi incrível ver aquele monte de gente reunida com um mesmo propósito.
      Bjinhos!

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